Cuba, EUA e URSS; O Détente.
Longe de sermos discpliscentes quanto às questões das bombas atômicas, bem como a questões dos perseguidos e massacrados pelos nazistas e as subsequentes consequencias, pretendemos dar maior enfase neste texto à questão da Pax Americana ou détente, que seria a estabilidade que se notou a partir de 62 quando os movimentos mais preocupantes, belicamente falando, foram, quase que de forma não surpreende, refreados nos movimentos que aconteceram nas cúpulas dos governos tanto Americano quanto da URSS, no contexto da iminencia da crise bélica e atômica. Para tal análise utilizaremos o texto de Vizentini: A Guerra Fria, produzido em 2000, fazendo paralelo com a matéria da revista Veja de outubro de 1962.
Nos anos que precederam às instalações de misseis nucleares na Baia dos Porcos em Cuba, nota-se grande desenvolvimento e expansão econômica, nuclear e espacial na URSS, e quanto a política também era singular a atuação soviética:
“Kruchev implementou, ainda que com muitas deficiências, uma diplomacia realmente mundial, com programas de ajuda ao nacionalismo do Terceiro Mundo. A URSS percebia-se como potência e, nos marcos da coexistência pacífica, propunha-se a ultrapassar economicamente os EUA em pouco tempo.” (VIZENTINI 2000, p.208).
A partir da Revolução Cubana com a resistência à invasão dos EUA na Ilha e da subsequente adoção do socialismo como regime político, por Fidel e seus companheiros, a posição de Cuba se tornara estratégicamente excepcional à URSS, tanto militarmente contra os EUA, quanto politica e ideologicamente na intenção quanto aos países latino americanos que passavam por turbulencias econômicas e políticas e o contexto de integração americana não estava tão satisfatório, visto às ditaduras que eram "mantenedoras" das maiorias dos países latino-americanos.
A ameaça nuclear contextualiza-se, sobretudo, a partir destes movimentos políticos. A tensão maior exposta a partir do implante dos mísseis em Cuba representou-se, das mais variadas formas e em vários meios de comunicação da época e nos vários países do planeta, e portanto se aponta o tratamento dado pela revista Veja aos episódios que ocorreram a partir da descoberta dos mísseis instalados em Cuba pelos EUA. Segundo a representação que se fez dos movimentos pela revista, apesar do real perigo quanto o disparo dos mísseis em seu território, os EUA tomaram manobras cautelosas que, sobretudo, resguardaram a continuidade da humanidade:
Sabendo que ganharia o apoio de todos os países não-alinhados a Moscou, o presidente decidiu não fazer nenhum movimento brusco, oferecendo tempo e espaço para que Kruschev sentisse a pressão e recuasse.”. (VEJA 10/1962)“Sensatez” também acomodada pelo lider soviético Kruschev, que depois de várias rodadas de negociações e tratados, usou da humanidade que carregava dentro de si para dar fim aos embrólios nucleares que, se acontecessem dariam fim a humanidade:
“A intrepidez do comandante vermelho durou onze dias repletos de temores, reuniões secretas, mobilizações militares e lances de desespero. Ironia suprema, Nikita Kruschev, o soberano de um império que se vangloria de sua frieza e destemor diante do sentimentalismo dos ocidentais, foi o primeiro a sucumbir.” (VEJA 10/1962).
Vemos que os limites da tensão estava à nossa porta e na mão de dois homens: Kennedy e Kruschev. A tênue linha que separou a catástrofe atômica da sensatez empregada por estes homens fora produto da Guerra Fria: Uma luta por poder bélico, econômico, geográfico e sobretudo de poder, que usou dos mais variados meios e táticas para tais conquistas.
PADRÓS, Enrique Serra. Capitalismo, prosperidade e Estado de Bem-Estar Social. In: REIS FILHO, Daniel Aarão; FERREIRA, Jorge & ZENHA, Celeste (Organizadores). O século XX. V.2: O tempo das crises: Revoluções, fascismos e guerras. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000, p. 227-266.
Revista VEJA; Outubro 1962
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